Chuva e delírio no Rio de Janeiro....
O Rio de Janeiro é uma merda, ponto. Todo mundo sabe disso ou pelo menos deveria saber. Mas não é que o fato dessa cidade ser uma bosta até que ajudou no Show do Interpol? Mas me adianto, na verdade a noite começou assim.
Rio de Janeiro, quinta-feira, 13 de março de 2008, 7:30 da noite. Depois de combinar com meu amigo Bruno para tomarmos umas cervejas no Bar Arco-Íris da Lapa antes do show do Interpol desligo o telefone e percebo que começou a chover. Forte. Sabe aquelas chuvas de verão que começam e passam em 5 minutos? Ou aquele chuvisco fraquinho e pentelho que fica caindo o dia inteiro? Pois é, essa chuva não era nenhuma das duas. Era aquela chuva que une a pior característica das duas chuvas comentadas acima, ou seja, forte para caralho e que quando começa a cair você percebe que ela vai demorar pra parar.
Inabalável com relação a isso, afinal de contas chuva é só água, termino de jantar e vou tomar uma ducha para me preparar p o show (o primeiro de muitos banhos que tomarei na noite). Saio de casa 8:40 da noite e a chuva continua going steady, sem dar nenhuma demonstração de cansaço. Vou andando até o ponto pegar o ônibus, já que macho não corre por causa de uns pinguinhos de chuva. Chegando na Lapa não só a chuva não parou como até aumentou um pouquinho. Compro meus cigarros e vou para o Bar encontrar com meus amigos para tomarmos umas cervejas esperando dar a hora de acabar o show do Moptop.
Os portões da Fundição Progresso estavam programados para serem abertos às 9:00 da noite. Mopotop deveria começar a tocar 9:30 e o show do Interpol estava marcado para começar às 22:30 da noite. Como Moptop é uma bosta e estamos no Brasil, ficamos tomando cerveja no bar até 22:40 já que não queríamos correr o menor risco de pegar um trecho do show do Moptop. Saindo do bar mais um banho, já era o quarto da noite (um no banheiro, um p ir pegar o ônibus, um ao saltar do ônibus e este indo p o show), mas tudo bem por que logo estaríamos dentro da Fundição Progresso para podermos assistir, abrigados da chuva, o show de uma das bandas mais fodas saídas da cena de NY. O timing foi perfeito e adentramos a Fundição Progresso exatamente no intervalo entre os shows da noite.
Para quem não foi na Fundição, após a entrada você sobe um ligeiro lance de escadas até o segundo andar da casa, ao fundo deste andar fica o modesto anfiteatro onde rolam os shows. Espaço meio abandonado pela prefeitura do Rio, até hoje não foi realizado um acabamento decente do dito anfiteatro da Fundição Progresso, mas isso até que tem o seu charme pois dá um toque meio punk pós-apocalíptico para o lugar.
Como no Rio de Janeiro não tem roqueiro, ao adentrarmos a arena propriamente dita percebemos que o pico não está lotado, apenas cheio, o que garantirá a todos a oportunidade de assistir ao show confortavelmente sem muito empurra-empurra. Desta forma nos dirigimos para frente do palco com o objetivo de nos posicionarmos estrategicamente e garantir uma boa visão do show. Chegando perto do palco noto um espaço aberto no meio da muvuca e falo com meus amigos: “Vamos ficar ali ó. Não tem ninguém naquela área”. Quando chegamos perto notamos o porquê daquele espaço vazio bem em frente ao palco. Tinha não uma, mas duas putas goteiras no lugar. Aliás chamar de goteira era pouco, parecia uma bica d’áqua que brotava de uma fonte natural localizada no teto da FUnDIÇÃO Progresso. Realmente lamentável mas no momento não esquentamos muito e fomos para outro lugar assistir ao show.
Como disse mais acima nosso timing foi perfeito e cinco minutos depois de entrarmos no pico apagam-se as luzes e somos agraciados com os primeiros acordes de Pioneer to the Falls, musica que abre o setlist oficial da banda nesta turnê pela América do Sul. Delírio total e imediato do publico. Após esse primeiro petardo neodark lançado por Mr. Paul Banks e companhia seguem-se outras pérolas da banda em rápida sucessão. Não necessariamente nessa ordem a banda toca: Obstacle 1, C'Mere, Narc, Mammoth, Hands Away, Say Hello To The Angels, Leif Erikson, The Scale, Slow Hands, Pace Is The trick, No I in Threesome Rest My Chemistry, The Lighthouse, Evil, Heinrich Maneuver, Not Even Jail. Sendo que Pace Is The Trick e Leif Erikson eles não haviam tocado em SP.
Normalemte acusados de serem frios e interagirem pouco com a platéia, a banda se mostrou extremamente solta e receptiva no palco. Como eu sempre digo o publico brasileiro é foda e derrete até iceberg. Provavelmente já tendo sido bem recepcionados em SP os membros do Interpol já chegaram sabendo que estavam com a platéia ganha e o publico carioca não decepcionou: cantando junto as musicas mais conhecidas, inclusive abafando o vocal de Paul Banks, aplaudindo muito a cada intervalo e batendo palmas acompanhando as musicas nos momentos mais lentos e intimistas do setlist. Enfim, se não foi a melhor interação publico banda que eu já vi creio que foi uma das melhores já encontradas pelos membros da banda. Como resultado a voz potente do vocalista se fazia ouvir com freqüência entre as musicas sempre agradecendo ao publico pela recepção calorosa, inclusive comentando que se sentia meio brasileiro desde que se irmão havia casado com uma filha desta pátria. Nem mesmo a chuva que caia dentro da Fundição Progresso arrefeceu o calor da noite.
Isso mesmo senhoras e senhores, numa péssima demonstração de descaso com a banda e com o publico pagante (quem não tinha carteira de estudante teve que desembolsar 100 pilas pelos ingressos), pode-se dizer que choveu dentro do anfiteatro da FUnDIÇÃO Progresso. Somente no palco, a frente e ao lado do vocalista, haviam duas (!!!) goteiras. No meio de uma musica inclusive o cara ficou cantando olhando para cima já que tinha uma goteira bem em cima dele. Além disso durante todo o show uma garoa fina podia ser vista vazando do teto e caindo sobre o palco. Pensei comigo: “Nossa que excelente capa de jornal esse show vai dar, já imaginou? Vocalista da banda americana Interpol morre eletrocutado em show no Rio de Janeiro”.
Como se não bastasse, provavelmente por conta da água que caia no palco, ao final de Not Even Jail alguma coisa queimou no equipamento e o som simplesmente apagou, deixando a banda perplexa e ligeiramente puta da vida por ter um show até então foda interrompido pela incompetência dos produtores e gerenciadores de casas de espetáculo tupiniquins. Pedindo desculpas ao publico a banda saiu do palco para que os técnicos pudessem resolver o problema. Tremi nas bases achando que o show fosse terminar ali, mas como sou um homem estóico aproveitei o momento da melhor maneira possível: indo comprar uma cerveja. Felizmente o problema foi resolvido em uns 20 minutos e foi anunciado que a banda retornaria para finalizar o show.
O problema é que Not Even Jail é a musica final do setlist oficial dos caras, quando normalmente eles fazem um intervalo para depois voltarem para o bis final. Se mostrando extremamente profissionais a banda voltou e retomou Not Even Jail exatamente do ponto onde haviam sido interrompidos, levando este que vos fala e o público em feral ao delírio final. Muito foda. Na seqüência emendaram direto com NYC, Stella was a driver and she was always down e PDA. Como essas são as musicas do bis da banda, quando eles agradeceram ao publico e saíram do palco por um momento achei q o show fosse acabar ali, várias pessoas acharam o mesmo e foram lentamente se retirando do pico. Mas como o publico brasileiro é teimoso grande parte da multidão se recusava a sair sem um bis apropriado e atendendo aos apelos da platéia a banda ainda voltou ao palco e tocou Untitled para a alegria e satisfação final deste humilde escriba. Final perfeito para um show que só não foi perfeito por que o espaço físico não deixou. Na parte que diz respeito ao profissionalismo da banda e o calor simpático e agradecido do publico o show foi sim perfeito.
E verdade seja dita, a esculhambação carioca até que ajudou ao publico no show do Interpol já que eles tocaram uma musica de labuja que não estava programada e no final ainda tornou o show inesquecível para qualquer um que tenha ido, que pode agora inclusive dizer: “Porra eu fui naquele show do Interpol que chovia para caralho no palco, deu pau no som e os caras da banda quase foram eletrocutados”.
Assim terminado o show só restava a este correspondente capixaba tomar o último banho da noite e ir para sua residência, encharcado sim, mas sentindo a satisfação do prazer cumprido.
Por: Alexander Jabert
Rio de Janeiro, quinta-feira, 13 de março de 2008, 7:30 da noite. Depois de combinar com meu amigo Bruno para tomarmos umas cervejas no Bar Arco-Íris da Lapa antes do show do Interpol desligo o telefone e percebo que começou a chover. Forte. Sabe aquelas chuvas de verão que começam e passam em 5 minutos? Ou aquele chuvisco fraquinho e pentelho que fica caindo o dia inteiro? Pois é, essa chuva não era nenhuma das duas. Era aquela chuva que une a pior característica das duas chuvas comentadas acima, ou seja, forte para caralho e que quando começa a cair você percebe que ela vai demorar pra parar.
Inabalável com relação a isso, afinal de contas chuva é só água, termino de jantar e vou tomar uma ducha para me preparar p o show (o primeiro de muitos banhos que tomarei na noite). Saio de casa 8:40 da noite e a chuva continua going steady, sem dar nenhuma demonstração de cansaço. Vou andando até o ponto pegar o ônibus, já que macho não corre por causa de uns pinguinhos de chuva. Chegando na Lapa não só a chuva não parou como até aumentou um pouquinho. Compro meus cigarros e vou para o Bar encontrar com meus amigos para tomarmos umas cervejas esperando dar a hora de acabar o show do Moptop.
Os portões da Fundição Progresso estavam programados para serem abertos às 9:00 da noite. Mopotop deveria começar a tocar 9:30 e o show do Interpol estava marcado para começar às 22:30 da noite. Como Moptop é uma bosta e estamos no Brasil, ficamos tomando cerveja no bar até 22:40 já que não queríamos correr o menor risco de pegar um trecho do show do Moptop. Saindo do bar mais um banho, já era o quarto da noite (um no banheiro, um p ir pegar o ônibus, um ao saltar do ônibus e este indo p o show), mas tudo bem por que logo estaríamos dentro da Fundição Progresso para podermos assistir, abrigados da chuva, o show de uma das bandas mais fodas saídas da cena de NY. O timing foi perfeito e adentramos a Fundição Progresso exatamente no intervalo entre os shows da noite.
Para quem não foi na Fundição, após a entrada você sobe um ligeiro lance de escadas até o segundo andar da casa, ao fundo deste andar fica o modesto anfiteatro onde rolam os shows. Espaço meio abandonado pela prefeitura do Rio, até hoje não foi realizado um acabamento decente do dito anfiteatro da Fundição Progresso, mas isso até que tem o seu charme pois dá um toque meio punk pós-apocalíptico para o lugar.
Como no Rio de Janeiro não tem roqueiro, ao adentrarmos a arena propriamente dita percebemos que o pico não está lotado, apenas cheio, o que garantirá a todos a oportunidade de assistir ao show confortavelmente sem muito empurra-empurra. Desta forma nos dirigimos para frente do palco com o objetivo de nos posicionarmos estrategicamente e garantir uma boa visão do show. Chegando perto do palco noto um espaço aberto no meio da muvuca e falo com meus amigos: “Vamos ficar ali ó. Não tem ninguém naquela área”. Quando chegamos perto notamos o porquê daquele espaço vazio bem em frente ao palco. Tinha não uma, mas duas putas goteiras no lugar. Aliás chamar de goteira era pouco, parecia uma bica d’áqua que brotava de uma fonte natural localizada no teto da FUnDIÇÃO Progresso. Realmente lamentável mas no momento não esquentamos muito e fomos para outro lugar assistir ao show.
Como disse mais acima nosso timing foi perfeito e cinco minutos depois de entrarmos no pico apagam-se as luzes e somos agraciados com os primeiros acordes de Pioneer to the Falls, musica que abre o setlist oficial da banda nesta turnê pela América do Sul. Delírio total e imediato do publico. Após esse primeiro petardo neodark lançado por Mr. Paul Banks e companhia seguem-se outras pérolas da banda em rápida sucessão. Não necessariamente nessa ordem a banda toca: Obstacle 1, C'Mere, Narc, Mammoth, Hands Away, Say Hello To The Angels, Leif Erikson, The Scale, Slow Hands, Pace Is The trick, No I in Threesome Rest My Chemistry, The Lighthouse, Evil, Heinrich Maneuver, Not Even Jail. Sendo que Pace Is The Trick e Leif Erikson eles não haviam tocado em SP.
Normalemte acusados de serem frios e interagirem pouco com a platéia, a banda se mostrou extremamente solta e receptiva no palco. Como eu sempre digo o publico brasileiro é foda e derrete até iceberg. Provavelmente já tendo sido bem recepcionados em SP os membros do Interpol já chegaram sabendo que estavam com a platéia ganha e o publico carioca não decepcionou: cantando junto as musicas mais conhecidas, inclusive abafando o vocal de Paul Banks, aplaudindo muito a cada intervalo e batendo palmas acompanhando as musicas nos momentos mais lentos e intimistas do setlist. Enfim, se não foi a melhor interação publico banda que eu já vi creio que foi uma das melhores já encontradas pelos membros da banda. Como resultado a voz potente do vocalista se fazia ouvir com freqüência entre as musicas sempre agradecendo ao publico pela recepção calorosa, inclusive comentando que se sentia meio brasileiro desde que se irmão havia casado com uma filha desta pátria. Nem mesmo a chuva que caia dentro da Fundição Progresso arrefeceu o calor da noite.
Isso mesmo senhoras e senhores, numa péssima demonstração de descaso com a banda e com o publico pagante (quem não tinha carteira de estudante teve que desembolsar 100 pilas pelos ingressos), pode-se dizer que choveu dentro do anfiteatro da FUnDIÇÃO Progresso. Somente no palco, a frente e ao lado do vocalista, haviam duas (!!!) goteiras. No meio de uma musica inclusive o cara ficou cantando olhando para cima já que tinha uma goteira bem em cima dele. Além disso durante todo o show uma garoa fina podia ser vista vazando do teto e caindo sobre o palco. Pensei comigo: “Nossa que excelente capa de jornal esse show vai dar, já imaginou? Vocalista da banda americana Interpol morre eletrocutado em show no Rio de Janeiro”.
Como se não bastasse, provavelmente por conta da água que caia no palco, ao final de Not Even Jail alguma coisa queimou no equipamento e o som simplesmente apagou, deixando a banda perplexa e ligeiramente puta da vida por ter um show até então foda interrompido pela incompetência dos produtores e gerenciadores de casas de espetáculo tupiniquins. Pedindo desculpas ao publico a banda saiu do palco para que os técnicos pudessem resolver o problema. Tremi nas bases achando que o show fosse terminar ali, mas como sou um homem estóico aproveitei o momento da melhor maneira possível: indo comprar uma cerveja. Felizmente o problema foi resolvido em uns 20 minutos e foi anunciado que a banda retornaria para finalizar o show.
O problema é que Not Even Jail é a musica final do setlist oficial dos caras, quando normalmente eles fazem um intervalo para depois voltarem para o bis final. Se mostrando extremamente profissionais a banda voltou e retomou Not Even Jail exatamente do ponto onde haviam sido interrompidos, levando este que vos fala e o público em feral ao delírio final. Muito foda. Na seqüência emendaram direto com NYC, Stella was a driver and she was always down e PDA. Como essas são as musicas do bis da banda, quando eles agradeceram ao publico e saíram do palco por um momento achei q o show fosse acabar ali, várias pessoas acharam o mesmo e foram lentamente se retirando do pico. Mas como o publico brasileiro é teimoso grande parte da multidão se recusava a sair sem um bis apropriado e atendendo aos apelos da platéia a banda ainda voltou ao palco e tocou Untitled para a alegria e satisfação final deste humilde escriba. Final perfeito para um show que só não foi perfeito por que o espaço físico não deixou. Na parte que diz respeito ao profissionalismo da banda e o calor simpático e agradecido do publico o show foi sim perfeito.
E verdade seja dita, a esculhambação carioca até que ajudou ao publico no show do Interpol já que eles tocaram uma musica de labuja que não estava programada e no final ainda tornou o show inesquecível para qualquer um que tenha ido, que pode agora inclusive dizer: “Porra eu fui naquele show do Interpol que chovia para caralho no palco, deu pau no som e os caras da banda quase foram eletrocutados”.
Assim terminado o show só restava a este correspondente capixaba tomar o último banho da noite e ir para sua residência, encharcado sim, mas sentindo a satisfação do prazer cumprido.
Por: Alexander Jabert

