Sexta-feira, Março 14, 2008

Chuva e delírio no Rio de Janeiro....

O Rio de Janeiro é uma merda, ponto. Todo mundo sabe disso ou pelo menos deveria saber. Mas não é que o fato dessa cidade ser uma bosta até que ajudou no Show do Interpol? Mas me adianto, na verdade a noite começou assim.

Rio de Janeiro, quinta-feira, 13 de março de 2008, 7:30 da noite. Depois de combinar com meu amigo Bruno para tomarmos umas cervejas no Bar Arco-Íris da Lapa antes do show do Interpol desligo o telefone e percebo que começou a chover. Forte. Sabe aquelas chuvas de verão que começam e passam em 5 minutos? Ou aquele chuvisco fraquinho e pentelho que fica caindo o dia inteiro? Pois é, essa chuva não era nenhuma das duas. Era aquela chuva que une a pior característica das duas chuvas comentadas acima, ou seja, forte para caralho e que quando começa a cair você percebe que ela vai demorar pra parar.

Inabalável com relação a isso, afinal de contas chuva é só água, termino de jantar e vou tomar uma ducha para me preparar p o show (o primeiro de muitos banhos que tomarei na noite). Saio de casa 8:40 da noite e a chuva continua going steady, sem dar nenhuma demonstração de cansaço. Vou andando até o ponto pegar o ônibus, já que macho não corre por causa de uns pinguinhos de chuva. Chegando na Lapa não só a chuva não parou como até aumentou um pouquinho. Compro meus cigarros e vou para o Bar encontrar com meus amigos para tomarmos umas cervejas esperando dar a hora de acabar o show do Moptop.

Os portões da Fundição Progresso estavam programados para serem abertos às 9:00 da noite. Mopotop deveria começar a tocar 9:30 e o show do Interpol estava marcado para começar às 22:30 da noite. Como Moptop é uma bosta e estamos no Brasil, ficamos tomando cerveja no bar até 22:40 já que não queríamos correr o menor risco de pegar um trecho do show do Moptop. Saindo do bar mais um banho, já era o quarto da noite (um no banheiro, um p ir pegar o ônibus, um ao saltar do ônibus e este indo p o show), mas tudo bem por que logo estaríamos dentro da Fundição Progresso para podermos assistir, abrigados da chuva, o show de uma das bandas mais fodas saídas da cena de NY. O timing foi perfeito e adentramos a Fundição Progresso exatamente no intervalo entre os shows da noite.

Para quem não foi na Fundição, após a entrada você sobe um ligeiro lance de escadas até o segundo andar da casa, ao fundo deste andar fica o modesto anfiteatro onde rolam os shows. Espaço meio abandonado pela prefeitura do Rio, até hoje não foi realizado um acabamento decente do dito anfiteatro da Fundição Progresso, mas isso até que tem o seu charme pois dá um toque meio punk pós-apocalíptico para o lugar.

Como no Rio de Janeiro não tem roqueiro, ao adentrarmos a arena propriamente dita percebemos que o pico não está lotado, apenas cheio, o que garantirá a todos a oportunidade de assistir ao show confortavelmente sem muito empurra-empurra. Desta forma nos dirigimos para frente do palco com o objetivo de nos posicionarmos estrategicamente e garantir uma boa visão do show. Chegando perto do palco noto um espaço aberto no meio da muvuca e falo com meus amigos: “Vamos ficar ali ó. Não tem ninguém naquela área”. Quando chegamos perto notamos o porquê daquele espaço vazio bem em frente ao palco. Tinha não uma, mas duas putas goteiras no lugar. Aliás chamar de goteira era pouco, parecia uma bica d’áqua que brotava de uma fonte natural localizada no teto da FUnDIÇÃO Progresso. Realmente lamentável mas no momento não esquentamos muito e fomos para outro lugar assistir ao show.

Como disse mais acima nosso timing foi perfeito e cinco minutos depois de entrarmos no pico apagam-se as luzes e somos agraciados com os primeiros acordes de Pioneer to the Falls, musica que abre o setlist oficial da banda nesta turnê pela América do Sul. Delírio total e imediato do publico. Após esse primeiro petardo neodark lançado por Mr. Paul Banks e companhia seguem-se outras pérolas da banda em rápida sucessão. Não necessariamente nessa ordem a banda toca: Obstacle 1, C'Mere, Narc, Mammoth, Hands Away, Say Hello To The Angels, Leif Erikson, The Scale, Slow Hands, Pace Is The trick, No I in Threesome Rest My Chemistry, The Lighthouse, Evil, Heinrich Maneuver, Not Even Jail. Sendo que Pace Is The Trick e Leif Erikson eles não haviam tocado em SP.

Normalemte acusados de serem frios e interagirem pouco com a platéia, a banda se mostrou extremamente solta e receptiva no palco. Como eu sempre digo o publico brasileiro é foda e derrete até iceberg. Provavelmente já tendo sido bem recepcionados em SP os membros do Interpol já chegaram sabendo que estavam com a platéia ganha e o publico carioca não decepcionou: cantando junto as musicas mais conhecidas, inclusive abafando o vocal de Paul Banks, aplaudindo muito a cada intervalo e batendo palmas acompanhando as musicas nos momentos mais lentos e intimistas do setlist. Enfim, se não foi a melhor interação publico banda que eu já vi creio que foi uma das melhores já encontradas pelos membros da banda. Como resultado a voz potente do vocalista se fazia ouvir com freqüência entre as musicas sempre agradecendo ao publico pela recepção calorosa, inclusive comentando que se sentia meio brasileiro desde que se irmão havia casado com uma filha desta pátria. Nem mesmo a chuva que caia dentro da Fundição Progresso arrefeceu o calor da noite.

Isso mesmo senhoras e senhores, numa péssima demonstração de descaso com a banda e com o publico pagante (quem não tinha carteira de estudante teve que desembolsar 100 pilas pelos ingressos), pode-se dizer que choveu dentro do anfiteatro da FUnDIÇÃO Progresso. Somente no palco, a frente e ao lado do vocalista, haviam duas (!!!) goteiras. No meio de uma musica inclusive o cara ficou cantando olhando para cima já que tinha uma goteira bem em cima dele. Além disso durante todo o show uma garoa fina podia ser vista vazando do teto e caindo sobre o palco. Pensei comigo: “Nossa que excelente capa de jornal esse show vai dar, já imaginou? Vocalista da banda americana Interpol morre eletrocutado em show no Rio de Janeiro”.

Como se não bastasse, provavelmente por conta da água que caia no palco, ao final de Not Even Jail alguma coisa queimou no equipamento e o som simplesmente apagou, deixando a banda perplexa e ligeiramente puta da vida por ter um show até então foda interrompido pela incompetência dos produtores e gerenciadores de casas de espetáculo tupiniquins. Pedindo desculpas ao publico a banda saiu do palco para que os técnicos pudessem resolver o problema. Tremi nas bases achando que o show fosse terminar ali, mas como sou um homem estóico aproveitei o momento da melhor maneira possível: indo comprar uma cerveja. Felizmente o problema foi resolvido em uns 20 minutos e foi anunciado que a banda retornaria para finalizar o show.

O problema é que Not Even Jail é a musica final do setlist oficial dos caras, quando normalmente eles fazem um intervalo para depois voltarem para o bis final. Se mostrando extremamente profissionais a banda voltou e retomou Not Even Jail exatamente do ponto onde haviam sido interrompidos, levando este que vos fala e o público em feral ao delírio final. Muito foda. Na seqüência emendaram direto com NYC, Stella was a driver and she was always down e PDA. Como essas são as musicas do bis da banda, quando eles agradeceram ao publico e saíram do palco por um momento achei q o show fosse acabar ali, várias pessoas acharam o mesmo e foram lentamente se retirando do pico. Mas como o publico brasileiro é teimoso grande parte da multidão se recusava a sair sem um bis apropriado e atendendo aos apelos da platéia a banda ainda voltou ao palco e tocou Untitled para a alegria e satisfação final deste humilde escriba. Final perfeito para um show que só não foi perfeito por que o espaço físico não deixou. Na parte que diz respeito ao profissionalismo da banda e o calor simpático e agradecido do publico o show foi sim perfeito.

E verdade seja dita, a esculhambação carioca até que ajudou ao publico no show do Interpol já que eles tocaram uma musica de labuja que não estava programada e no final ainda tornou o show inesquecível para qualquer um que tenha ido, que pode agora inclusive dizer: “Porra eu fui naquele show do Interpol que chovia para caralho no palco, deu pau no som e os caras da banda quase foram eletrocutados”.

Assim terminado o show só restava a este correspondente capixaba tomar o último banho da noite e ir para sua residência, encharcado sim, mas sentindo a satisfação do prazer cumprido.

Por: Alexander Jabert

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

No Hay Blog

Bom...
Alguém aqui gostaria de ouvir alguma coisa divertida?
Nada novo, talvez parecido demais com B52´s..mas...enfim..
Le Tigre. Muito bom.
Ando ouvindo por aí.

Terça-feira, Setembro 27, 2005

Weezer em Curitiba.


Ok, primeiro tenho que dizer uma coisa. Todo mundo sabe que eu não sou um grande fã do Weezer, acho eles apenas uma banda legalzona e divertida, com umas letrinhas bem mais ou menos. Isto dito agora posso falar: o show do Weezer foi foooooda! Vamos ao começo.

A chegada desse correspondente capixaba à Curitiba se deu no sábado de manhã depois de uma viagem muito pouco cansativa, apesar de atrasos, já que felizmente eu não tenho problemas para dormir em ônibus. Curitiba é aquela coisa: cidade limpinha, ruas limpinhas, pessoas limpinhas e mendigos limpinhos. Só para vocês terem uma idéia do que eu estou falando na frente do nosso hotel tinha um mendigo cantando ópera com voz de soprano para recolher alguns trocados...Curitiba é assim, mendicância com erudição.

Depois de almoçar e tomar algumas cervejas partimos para o pico do festival por que este que vos fala queria ver o show do Rádio de Outono, também para sondar a área mais cedo e ver qual seria o melhor lugar para se posicionar estrategicamente para o evento principal. Na entrada estavam sendo distribuídos copos de campari de graça, o que levantou uma questão momentânea: campari é uma merda x álcool de graça. Como eu disse foi uma dúvida momentânea e com um copo de campari em cada mão adentro o Master Hall de Curitiba.

O espaço é muito legal, para quem conhece ele se parece com um Teatro Odisséia grande. Na pista em frente do palco devem caber umas 1.700 pessoas apertadas com o resto da capacidade da casa espalhada pelos três andares de “camarotes”. Se por um lado, com a transferência do festival para esse lugar se perdeu o visual alucinante da Pedreira Paulo Leminski por outro se ganhou na qualidade do som e pelo “aconchego” de poder assistir ao festival num lugar fechado já que estava frio pra cacete em Curitiba.

Cheguei justamente na hora que estava rolando o show do Rádio de Outono. Banda pop de Pernambuco o RdO promete estourar pra valer em breve com o lançamento do seu primeiro cd, seu som retrô-pop é de excelente qualidade e a vocalista, que manda muito bem, possui grande carisma natural. Momento auge do show: cover da musiquinha do Happy Tree Friends. Nathália ia pirar.

Acabado o show zarapamos para uma área de descanso encher a cara de cerveja (cerveja Conti, nem me pergunte, o que importa é que é álcool) enquanto aguardávamos a hora para o evento principal. No meio do show do Acabou La Tequila nos encaminhamos pra frente do palco com o objetivo de ficar num lugar legal para ver o show do Weezer. No entanto a demora no intervalo entre o show do ALT e o do Weezer somado à grosseria da playboyzada curitibana fizeram este correspondente dizer foda-se e ir procurar um local mais confortável para o show.

Podem me zoar falando que arreguei para playboy curitibano, mas na boa velho o clima em frente ao palco era o de um campo de refugiados somaliano esperando um caminhão de comida da ONU. Barbárie pura! Fui para um dos “camarotes” satisfeito com minha decisão já que lá em cima poderia curtir o show tomando cerveja além de ter conseguido um lugar que me permitia ver o palco todo. A vibe da galera que estava lá em cima também era bem legal.

Finalmente começa o show e os caras abrem logo com My Name is Jonas levando o público ao delírio total e imediato. No começo a banda está um pouco contida sem saber muito bem o que esperar do público, mas público brasileiro é foda mesmo e os caras rapidamente se dão conta disso. A surpresa e felicidade da banda com o público são patentes o que faz com que eles se soltem cada vez mais, interagindo bastante com a audiência e mostrando que estão se amarrando no show, fato que cria uma vibe muito bacana com a galera. Eu mesmo que não sou fã da banda não consigo ficar parado um segundo dançando e pulando amarradão! Diversão pura.

À My Name is Jonas seguiram-se Tired of Sex, Don´t Let Go, In The Garage, This is Such a Pity, Big Me (cover do Foo Fighters), Perfect Situation, Why Bother, El Scorcho, Say it Ain´t So, We´re All on Drugs, The Good Life,Beverly Hills, Buddy Holly, Photograph, Island in the Sun, Undone (the Sweater Song), Hash Pipe e Surf Wax America. Como deu pra ver um grande número de musicas do primeiro cd e nenhuma do Maladroid. Tenho que confessar que gostaria de conhecer a banda um pouco melhor para poder cantar todas as musicas de tão divertido que estava o show. Sou fã do Placebo e não do Weezer, mas o show deles foi muito melhor que o do Placebo. Muito mais espontâneo e caloroso.

Momento auge do show sem dúvida foi quando eles perguntaram se tinha alguém na platéia que sabia tocar, um monte de gente gritou que sim e eles acabaram chamando um moleque para tocar violão com eles em The Sweater Song. Mais interatividade com o público impossível! O melhor é que o moleque realmente sabia tocar a musica e mandou muito bem. Delírio total quando Rivers Cuomo ajoelha na frente do moleque tocando guitarra. Se o guri tiver banda pode se dar muito bem colocando nos cartazes de shows que a banda possui um ex-integrante do Weezer.

Terminado o show era patente o estado de êxtase do publico que ia embora de sorriso no rosto sabendo que havia presenciado um show excelente e que com certeza foi para muitos o melhor show da vida. Mesmo a própria banda já colocou no site deles que o show de Curitiba foi um dos melhores shows da história do Weezer. Para os fãs não poderia haver felicidade maior, só restava ir embora com a satisfação do prazer cumprido.

Quinta-feira, Janeiro 06, 2005

Lembranças do Sri Lanka

Quarta-feira, Janeiro 05, 2005

Feliz 2005

Feliz 2005 pra todos!!
Tem muitos discos pra sair esse ano, olha só as bandas...
My Vitriol, Nine Inch Nails, Young Gods,Zack De La Rocha, Cold Play, New Order, Idlewild, Filter, cdz solos de Billy Corgan e Jimmy Chamberlin(ex baterista do smashing pumpkins)... isso tudo antes de abril!!


1 Streetcrawler (4:05)
2 Life Begins Again (3:44) ouvir
3 Psa (5:46)
4 Loki Cat (4:09)
5 Cranes of Prey (5:18)
6 Love Is Real (3:22)
7 Owed to Darryl (5:14)
8 Newerwaves (4:13)
9 Time Shift (2:43)
10 Lullabye to Children (3:45)
11 Loki Cat (Reprise)

Terça-feira, Dezembro 21, 2004

Sin City nas telonas

Muita gente que eu conheço não gosta muito de Sin City, consideram uma obra "menor" do Frank Miller com um enredo não muito criativo, dizendo que é muito mais fraco do que Cavaleiro das Trevas (o primeiro é claro, para mim o 2 não existe e é fruto da imaginação coletiva das pessoas). É claro que se comparadas a Cavaleiro das Trevas todas as outras obras de Mr. Miller vão ser consideradas de qualidade inferior já que este é um clássico dos quadrinhos e um dos melhores de todos os tempos. Mas eu particularmente adoro Sin City, mesmo sendo inferior à sua obra prima ainda é um quadrinho muito bom, superior a grande maioria das coisas que você encontra no mercado editorial. Eu aprecio especialmente o clima "noir-punk" da obra com suas doses de sexo e de ultraviolência. Além disso Mr. Miller sendo o mestre dos pincéis que é criou uma obra de visual único de alto contraste e "praticamente" em preto-branco que transmite perfeitamente o sentimento denso e pesado da obra.



Por esses motivos foi com alegria e apreensão que se recebeu a notícia da adaptação da obra para o cinema, anunciada no começo do ano. O projeto ficou a cargo de Robert Rodriguez, diretor de Era Uma Vez No México, que dividiu a direção do longa com Quentin Tarantino e o próprio Frank Miller, mas ao que tudo indica os caras fizeram um exelente trabalho de adaptação. Além diso parece que o filme deixou todos os astros de Hollywood molhadinhos e assim sendo vai contar com uma verdadeira manada de estrelas no papéis principais, dá uma conferida: Jessica Alba (Nancy Callahan), Rosario Dawson (Gail), Elijah Wood (Kevin), Maria Bello (Ava Lord), Bruce Willis (John Hartigan), Benicio Del Toro (Jack Rafferty), Michael Clarke Duncan (Manute), Carla Gugino (Lucille), Josh Hartnett (o vendedor), Michael Madsen (Bob), Jaime King (Goldie/Wendy), Brittany Murphy (Shellie), Clive Owen (Dwight), Mickey Rourke (Marv), Nick Stahl (o bastardo amarelo), Devon Aoki (Miho), Rutger Hauer (cardeal Roark) e Alexis Bledel (Becky).



Quando os pôsteres do filme começaram a sair já dava para se perceber que os diretores se manteriam extremamente fiéis à linguagem visual dos quadrinhos, mas a melhor surpresa mesmo acabou de sair. Foi divulgado hoje pela produtora Dimension Films o primeiro trailer do filme que derruba da cadeira qualquer fã de carteirinha da obra. A impressão que se tem é de que a HQ criou vida. Simplesmente foda.

Link para o trailer, precisa de Quicktime para assistir: http://www.omelete.com.br/superomelete/filmes/paginas_db/sin_city_-_trailer.asp

Agora é só esperar pelo lançamento previsto para 1 de abril nos Estados Unidos.

Dead Fish na Capricho. Confira!





"Incomoda, né?" Os caras do Dead Fish só falavam isso enquanto a gente conversava dentro de uma van.

E o que a gente estava fazendo dentro da van, você deve estar se perguntando. Conferindo uma história que surgiu com a Dani, da Galera CAPRICHO, numa das reuniões de pauta da revista. Ela falou - com um tom de reprovação na voz - que o Dead Fish tinha virado pop. Será? Leia a entrevista na íntegra e depois dê sua opinião no Sobe ou Desce



Tem muito preconceito no rock, não tem?
Rodrigo Na real, acho que sou um cara bem preconceituoso, de parâmetros rígidos. Sou um radical do meu jeito. Talvez eu não pareça radical para algumas pessoas, mas acredito que seja um cara que tenha muitos conceitos pré-concebidos. E já que estou nesse jogo, estou me enfrentando o tempo inteiro. Todo dia estou num enfrentamento.

Me dá um exemplo
Rodrigo Falar pra CAPRICHO. Não é uma revista que eu pensaria em falar. Não seria o veículo escolhido. Isso é fruto do meu preconceito porque você é uma pessoa legal...
Hóspede A gente têm preconceito com a qualidade do som de bandas que são muito ruins.

Já rolou de vocês se recusarem a tocar com alguma banda que vocês não gostam?
Rodrigo Nunca rolou, ma não gostaria de tocar com uma banda racista, tipo skin head
A gente sempre teve uma postura como banda que afastou coisas que a gente não queira e sem que a gente precisasse falar. Bandas que não tinham a ver não se ofereceram pra tocar com a gente. Foi uma surpresa pra gente que um veículo como a CAPRICHO chegasse para ouvir, pra fazer uma reportagem sobre a gente.
Rodrigo Várias bandas engajadas hoje acham que a gente não têm a mesma postura e não vão mais chamar a gente. A coisa não vem de um lado só. O preconceito é uma coisa arraigada socialmente, não é uma exclusividade da classe A ou D. Uma banda superengajada não vai chamar o Dead Fish porque eles acham que gente vendeu nossas idéias ou não acredita mais em algumas coisas ou que não vale a pena estar com uma banda com tanta exposição na mídia. Eu respeito.

Isso é ruim?
Rodrigo Não me incomoda. Se eles não me querem do lado deles, também não quero estar do lado deles.
A banda está em uma fase nova. Abrimos uma porta e conseguimos veículos maiores para divulgação da banda. A gente tem que fazer coisas desse tipo, mas mantendo nossa posição, nosso pensamento para que os adolescentes, as crianças conheçam o hardcore. Mostrar o que não veicula em grandes rádios ou redes de televisão. A gente não tem preconceito de fazer essas coisas porque é também pra divulgar o nosso trabalho. Existem muitas bandas boas que não têm acesso. É legal. Acho bom.
Rodrigo Já estou meio cansado de ter que justificar isso o tempo todo. Já faz sete meses (desde que assinaram o contrato com a Deck) que dizemos porque a gente faz isso, faz aquilo. É muito chato. A gente teve que superar preconceito também, sacou? A gente faz isso por nós. A gente quer fazer.

Muitos fãs do Dead Fish estão dizendo que o Dead Fish virou pop. É ciúme?
Rodrigo Eu já fiz muito isso.

Ficou irritado porque alguma banda alternativa de repente ficou conhecida?
Rodrigo Várias vezes, mas depois voltei a ouvir. Com o Bad Regilion aconteceu isso. Eu quase morri de tristeza quando eles assinaram com a Atlantic.
Alyand Até a pouco tempo se eu visse qualquer cara ouvindo Bad Religion lá em Vitória, ficava meio grilado.
Com o Offspring também foi assim.

Tem aquele sentimento "conheci primeiro"?
Normal, faz parte da idade e do jeito de pensar. Daqui um tempo vai ser diferente e essa pessoa vai se lembrar da situação.
Rodrigo E tem gente que vai morrer pensando assim. Conheço pessoas, que são minhas amigas, que estão na cena independente e vão morrer pensando que se você dá um entrevista para um grande veículo, você perdeu toda a sua essência.
Hóspede A banda não mudou uma vírgula no estilo musical, nem nas letras. O que caracteriza uma banda é o jeito que ela toca e a gente não mudou nada. Então a banda não virou pop. As pessoas é que estão encarando a banda de um outro jeito.
Rodrigo Talvez a gente tenha entrado nesse mundo pop pejorativo da massa. Mas essencialmente, não.

Quinta-feira, Dezembro 09, 2004

Brasil, one nation under god

Se existe algum Deus, pode-se dizer que ele olhou pelos brasileiros no primeiro fim de semana de dezembro. Os dias 3, 4 e 5 foram marcados pela presença de duas das mais importantes bandas de punk rock da atualidade: Bad Religion e Pennywise, a primeira veterana nos palcos brasileiros e a segunda em sua primeira apresentação. Auxiliados pelo cada vez mais competente e maduro som do Dead Fish, as duas bandas trouxeram para o Brasil os shows de divuilgação dos respectivos últimos discos, porém recheados de clássicos. Segue relato de duas das três apresentações, em São Paulo e no Rio, respectivamente nos dias 3 e 5 de dezembro.

São Paulo

Frio, ameaça de chuva, trânsito, multidão de garotos formando uma fila gigantesca, nada disso impediu a apresentação de transcorrer normalmente, e realmente o melhor adjetivo para descrever a apresentação é normal. Com execeção do Dead Fish, banda que abriu o evento e realizou um show, rápido e contundente, como uma verdadeira pedrada punk, todos pareciam afetados pelo frio. A segunda banda a tocar foi Pennywise, que trouxe ao Brasil o show do disco From the Ashes. Pela primeira vez os fâs brasileiros puderam ouvir clássicos como Wouldn’t it be nice, Same old story, Society e Bro Hymn, junto a músicas novas como Yesterdays e God save the USA. Os destaques da apresentação ficam por conta da simpatia dos integrantes, da empolgante cover de Blitzkrieg Bop do Ramones, pelas frases contra Bush e pelo coro de Bro Hymn, encerrando o show, entoado por milhares de vozes.
Na seqüência entrou no palco Bad Religion que, ajudado pela platéia de fâs que cantou todas as letras, tanto antigas quanto do último disco “The Empire Strikes First”, fez uma apresentação boa. Apenas boa, em se tratando de Bad Religion. Letras consagradas, hinos punk como Fuck Armagedon, American Jesus e Along the Way, junto a hits como Sinister Rouge e Los Angeles is Burning cortaram o frio da madrugada, aquecendo a alma dos presentes e fazendo a alegria de quem há muito esperava uma apresentação deles no Brasil. Alegria superada apenas pelo exagero alcoólico do Baixista Jay Bentley, um espetáculo à parte. Ainda assim o pogo esperava mais. E quem teve mais foram os cariocas.

Rio de Janeiro

Domingo de sol com temperatura na faixa dos quarenta graus, esse foi o cenário com o qual a cidade recepcionou o terceiro dia do evento de aniversário da Rádio 89 fm. No Rio uma novidade: a inclusão do CPM22 no set.
O evento começou com um dos melhores, se não o melhor, show do Dead Fish de todos os tempos. A presença dos ídolos do Bad Religion e da referência Pennywise provocaram um efeito devastador na banda. Rodrigo, apesar de ter o pé imobilizado, pulou e movimentou a massa como nunca. Auxiliado pelas guitarras de Philippe e Hóspede, pelo baixo de Alyand e pelo motor de No, na bateria, o Dead Fish entrou para a história do punk rock nacional.
A seguir entra o CPM22. A temática da banda, com letras que falam mais de relacionamentos e que contestam pouco o sistema, definitivamente não empolgou os cariocas, e aqui fica a dúvida se eles realmente deveriam ter sido escalados para tocar no evento. A Banda entrou e saiu debaixo de vaias e gritos como “ê, ê, ê, a praia de paulista é o rio tietê”, fato que chegou a irritar alguns dos integrantes. Ainda assim tocaram seu set list com competência.
Passado o transtorno, entra no palco Pennywise, a banda que, inesperadamente, a maioria dos cariocas estava ansiosa para ver. E eles corresponderam às expectativas. O set, basicamente composto pelas mesmas músicas tocadas em São Paulo, porém com algumas novidades levou o público à loucura. A impressão que se tinha é que todas as pessoas presentes sabiam cantar as músicas. O que se seguiu foi a visão de um campo de batalha. O mosh insandecido. A definição exata de um show de punk rock. Assim que todas as pessoas presentes, inclusive os integrantes do Dead Fish, que invadiram o palco e tomaram um dos microfones, pararam de cantar o refrão de Bro Hymn, como em São Paulo a última música, só o que se viu foram sorrios, de orelha a orelha, estampados nos rostos da juventude. O trabalho de transformar a noite em uma data histórica estava praticamente realizado, cabendo ao Bad Religion encerrar com chave de ouro o acontecimento.
E assim se fez. Greg Graffin, entoando suas letras com trejeitos de professor, “ensinava” os presentes a questionar tudo o que está estabelecido. Todas as músicas foram executadas com perfeição num set que faz imaginar a existência de uma fonte da juventude, tamanha a força e energia no palco desses quase quarentões. Anos de estrada traduzidos em rapidez sonora, em violência punk, tudo sobre o esqueleto das ótimas letras de músicas como Do what you want, We’re only gonna die, Generator, A walk, Let them eat war, Sinister rouge e muitas outras.
O show se foi, veio o bis, que trouxe músicas antigas e que foi encerrado, magistralmente, com American Jesus, levando às lágrimas até o mais germânico fá do hardcore. Depois de todas as apresentações chegamos a uma só constatação: ironicamente, se existisse um Deus, ele com certeza seria brasileiro.