Terça-feira, Dezembro 21, 2004

Dead Fish na Capricho. Confira!





"Incomoda, né?" Os caras do Dead Fish só falavam isso enquanto a gente conversava dentro de uma van.

E o que a gente estava fazendo dentro da van, você deve estar se perguntando. Conferindo uma história que surgiu com a Dani, da Galera CAPRICHO, numa das reuniões de pauta da revista. Ela falou - com um tom de reprovação na voz - que o Dead Fish tinha virado pop. Será? Leia a entrevista na íntegra e depois dê sua opinião no Sobe ou Desce



Tem muito preconceito no rock, não tem?
Rodrigo Na real, acho que sou um cara bem preconceituoso, de parâmetros rígidos. Sou um radical do meu jeito. Talvez eu não pareça radical para algumas pessoas, mas acredito que seja um cara que tenha muitos conceitos pré-concebidos. E já que estou nesse jogo, estou me enfrentando o tempo inteiro. Todo dia estou num enfrentamento.

Me dá um exemplo
Rodrigo Falar pra CAPRICHO. Não é uma revista que eu pensaria em falar. Não seria o veículo escolhido. Isso é fruto do meu preconceito porque você é uma pessoa legal...
Hóspede A gente têm preconceito com a qualidade do som de bandas que são muito ruins.

Já rolou de vocês se recusarem a tocar com alguma banda que vocês não gostam?
Rodrigo Nunca rolou, ma não gostaria de tocar com uma banda racista, tipo skin head
A gente sempre teve uma postura como banda que afastou coisas que a gente não queira e sem que a gente precisasse falar. Bandas que não tinham a ver não se ofereceram pra tocar com a gente. Foi uma surpresa pra gente que um veículo como a CAPRICHO chegasse para ouvir, pra fazer uma reportagem sobre a gente.
Rodrigo Várias bandas engajadas hoje acham que a gente não têm a mesma postura e não vão mais chamar a gente. A coisa não vem de um lado só. O preconceito é uma coisa arraigada socialmente, não é uma exclusividade da classe A ou D. Uma banda superengajada não vai chamar o Dead Fish porque eles acham que gente vendeu nossas idéias ou não acredita mais em algumas coisas ou que não vale a pena estar com uma banda com tanta exposição na mídia. Eu respeito.

Isso é ruim?
Rodrigo Não me incomoda. Se eles não me querem do lado deles, também não quero estar do lado deles.
A banda está em uma fase nova. Abrimos uma porta e conseguimos veículos maiores para divulgação da banda. A gente tem que fazer coisas desse tipo, mas mantendo nossa posição, nosso pensamento para que os adolescentes, as crianças conheçam o hardcore. Mostrar o que não veicula em grandes rádios ou redes de televisão. A gente não tem preconceito de fazer essas coisas porque é também pra divulgar o nosso trabalho. Existem muitas bandas boas que não têm acesso. É legal. Acho bom.
Rodrigo Já estou meio cansado de ter que justificar isso o tempo todo. Já faz sete meses (desde que assinaram o contrato com a Deck) que dizemos porque a gente faz isso, faz aquilo. É muito chato. A gente teve que superar preconceito também, sacou? A gente faz isso por nós. A gente quer fazer.

Muitos fãs do Dead Fish estão dizendo que o Dead Fish virou pop. É ciúme?
Rodrigo Eu já fiz muito isso.

Ficou irritado porque alguma banda alternativa de repente ficou conhecida?
Rodrigo Várias vezes, mas depois voltei a ouvir. Com o Bad Regilion aconteceu isso. Eu quase morri de tristeza quando eles assinaram com a Atlantic.
Alyand Até a pouco tempo se eu visse qualquer cara ouvindo Bad Religion lá em Vitória, ficava meio grilado.
Com o Offspring também foi assim.

Tem aquele sentimento "conheci primeiro"?
Normal, faz parte da idade e do jeito de pensar. Daqui um tempo vai ser diferente e essa pessoa vai se lembrar da situação.
Rodrigo E tem gente que vai morrer pensando assim. Conheço pessoas, que são minhas amigas, que estão na cena independente e vão morrer pensando que se você dá um entrevista para um grande veículo, você perdeu toda a sua essência.
Hóspede A banda não mudou uma vírgula no estilo musical, nem nas letras. O que caracteriza uma banda é o jeito que ela toca e a gente não mudou nada. Então a banda não virou pop. As pessoas é que estão encarando a banda de um outro jeito.
Rodrigo Talvez a gente tenha entrado nesse mundo pop pejorativo da massa. Mas essencialmente, não.